grupotrespontos

Este é o espaço diário do grupo Três Pontos, formado por Antônio Augusto Bueno, James Zortéa e Lilian Maus. Esperamos refletir sobre nossos projetos artísticos e sobre as experimentações diárias que envolvem arte. Ressaltamos também a nossa intenção de refletir sobre o desenho, já que foi esta a paixão que nos uniu.

Friday, August 31, 2007

Nas entrelinhas do diário - Exposição de Lilian Maus


Convido a todos para minha exposição no StudioClio dia 1º de setembro, sábado, às 11h.
Espero que possam mergulhar nas entranhas do processo de criação. Entre o desenho, a escritura e o inventário, vou tecendo um (dis)curso no tênue limite entre documento e ficção. Na exposição, apresento diários, desenhos e escritos sobre papel e elaborados diretamente sobre a parede da microgaleria. Através da produção de diários, registro meu processo de trabalho, esboço algumas ações, mas também construo as obras. Para mim o diário é sempre a borda, um bordado de pensamentos e um desejo de permanência, uma seleção de momentos, reais ou imaginários, que se elege guardar.

Monday, June 11, 2007

Exposição Pequenos Desenhos - Atelier Subterrânea

Wednesday, May 30, 2007

abrindo idéias


















Sunday, March 18, 2007

Alinhavando

Friday, March 02, 2007

Três cães sem dono



Afinal de contas, porque três tigres tristes iriam querer três pratos de trigo?

Tuesday, February 27, 2007

Diário Aberto

O desenho e a palavra vivem em mim como desejo latente.










Fontes transformadoras que fazem fluir os gestos através dos meus diários. Em vista disso, evidencio aqui o gozo que provém da escrita na prática de diários (de bordo, suspensos, digitais etc), afinal o próprio blog é isso, não é? Um relato do dia-a-dia em uma troca constante.

O diário é sempre a borda, um bordado dos pensamentos e um desejo de permanência, uma seleção de momentos que se elege guardar. Talvez restem apenas as linhas desse bordado, um fiapo aqui, outro ali que, com o passar do tempo, mudam de cor, de cheiro e de forma, mas que nos faz acreditar na existência de algo, no desejo do ser e de metamorfosear-se nesses fios do casulo ou das páginas reviradas do avesso.

Thursday, December 14, 2006

O Livro dos Pontos

















Este desenho são desdobramentos de idéias minhas sobre o Grupo.

Encontrando Novos Pontos

Este post é dedicado a Valéria, de quem eu não pude deixar de lembrar ao ler "A Câmara Clara" de Roland Barthes.

O ato de fruir e (re)produzir fotos seria, para o autor, um ato de estudium (lat. investimento geral e ardoroso em algo) e também punctum (lat. pequeno corte, buraco ou pequena mancha, além de lance de dados/acaso). Acho que esta definição vem de encontro com as intenções do nosso grupo: a poética e a poiésis em arte. Cada vez mais pontos e estudos se integram, formando traços mais amplos de delineamento do grupo. A partir da conecção que fiz entre esta obra de Barthes, que é a última editada em vida, e as imagens do trabalho de Ana Valéria, destaco os fragmentos do texto intercalado por uma fotografia do trabalho da artista.

"Gosto desses ruídos mecânicos de uma maneira quase voluptuosa, como se, da Fotografia, eles fossem exatamente isso - e apenas isso - a que meu desejo se atém, quebrando com seu breve estalo a camada mortífera da Pose. Para mim, o barulho do tempo não é triste: gosto dos sinos, dos relógios - e lembro-me de que originalmente o material fotográfico dependia das técnicas da marcenaria e da mecânica de precisão: as máquinas, no fundo, eram relógios de ver, e talvez em mim alguém muito antigo ainda ouça na máquina fotográfica o ruído vivo da madeira." (BARTHES, A Câmara Clara, p. 30)

Um detalhe importante: durante a apresentação dos slides na banca de graduação/IA-UFRGS de Valéria pude ouvir esse barulhinho mecânico revelador promovido pelo projetor de slides. Era como se ele falasse com a voz rouca e envelhecida "isto é um slide", "isto é um slide", coisa depois ressaltada pela artista ao brincar com a mídia, desenhando com as imperfeições dos slides projetadas na tela.

O trabalho da artista assume um tempo de maturação, o que é admirável. O processo de trabalho é pontuado por obras representativas, mas mantém-se em constante transformação. Das constantes revisitas ao trabalho, amplia-se a gama de compreensões tanto da artista como do espectador. O jogo de imagens entre o expresso e o oculto desafia o espectador a supor regras, a aventurar-se, como diria Barthes, no universo criado pela artista.